Entenda os 9 maiores desafios da gestão em uma empresa familiar

Os desafios da gestão em uma empresa familiar representam grandes obstáculos ao crescimento e longevidade desses negócios. Isso porque nem sempre os empreendedores reúnem o conhecimento necessário para planejar e estruturar adequadamente os processos empresariais.

A consequência é que, mesmo com boas oportunidades de mercado, pequenas empresas fecham as portas com uma frequência bastante indesejável. Esse processo está ligado a questões como falta de planejamento, dificuldades de negociar com fornecedores, baixo investimento em capacitação, entre outras.

Sendo assim, para que você dê os primeiros passos em direção a uma gestão mais eficiente, listamos os 9 principais desafios das empresas familiares, além de dicas relevantes para não cometer erros. Continue lendo!

Quais são os desafios da gestão em uma empresa familiar?

As empresas familiares normalmente são criadas como meio de sobrevivência do grupo, sendo transferidas de geração para geração. Assim, a gestão se caracteriza por conciliar os aspectos profissionais e pessoais, quase sempre lidando com a presença de parentes no negócio.

Não por acaso, os principais desafios do modelo dizem respeito a questões práticas. Entre eles, identificamos os listados abaixo.

1. Gestão de pessoas

Realizar uma gestão de pessoas profissional, em que prevaleça a competência e os resultados na distribuição de funções e benefícios. Nesse cenário há dois caminhos, a profissionalização da família, especialmente visando a sucessão, e a atração de talentos.

Muitas vezes as pessoas de confiança não são as melhores preparadas e há uma resistência em contratar profissionais do mercado, de fora do círculo familiar. Por outro lado, quando isso acontece, é preciso cuidar pata que não haja nenhuma distinção no tratamento dos funcionário. Nenhuma racha – os de dentro e os de fora.

Aqui, o passo mais difícil diz respeito à migração de modelo, porque muitas empresas familiares contam com parentes sem a formalização de contratos de trabalho ou pró-labore.

2. Relação com fornecedores

O mesmo costuma acontecer em relação aos fornecedores. Não há nada de mal em fechar negócio com familiares e pessoas de confiança, desde que os critérios de avaliação e seleção da qualidade dos serviços, produtos, bem como valores e prazos, sejam imparciais. Afinal, essa contratação precisa ser realizada visando os objetivos de negócio e não o bem-estar familiar.

Firmar e preservar bons contratos para suprir as necessidades da empresa. Normalmente, as dificuldades passam por privilegiar relações pessoais em detrimento da proposta de valor de cada fornecedor, bem como por não formalizar as obrigações em termos escritos.

3. Controle do fluxo de caixa

Sem dúvida um dos maiores desafios da administração familiar é o controle financeiro, principalmente no que diz respeito a separação das contas pessoais das finanças da empresa. Para começar, como em qualquer empresa, é necessário definir salários para os membros da família que ocupam a administração.

Além de entender e gerir a entrada e saída de recursos, conciliando as retiradas feitas pela família e o pagamento das obrigações da empresa. Especialmente em pequenas empresas, o fluxo de caixa costuma ser bastante desorganizado e sem projeções.

4. Relação entre as partes interessadas

Não é apenas quando o assunto é dinheiro que é preciso separar as questões pessoais e profissionais, bem como definir os direitos e deveres de cada parente no negócio. Em empresas familiares, os conflitos entre os sócios são bastante comuns, porque todos se veem como donos e ninguém pretende vender sua parcela para uma saída amigável, como é frequente em outros negócios.

Por isso, é necessário planejamento e diretrizes muito bem definidas, evitando que qualquer disputa se torne um conflito familiar. A figura de um líder precisa ser mantida, ainda que hajam vários sócios, administrativamente alguém precisa ter a palavra final.

5. Plano de sucessão

O momento da sucessão é crucial, de acordo com o Sebrae, mais de 70% dos negócios familiares não sobrevivem à segunda geração. Muitas vezes isso acontece pela falta de identificação dos herdeiros com o a empresa, levando o empreendimento ao fracasso.

Assim, o primeiro ponto a se considerar é o real interesse dos sucessores. A partir daí, é importante traçar um plano de sucessão baseado em uma estratégia de continuidade definida. Os interessados, em geral os filhos, devem ser preparados tanto técnica quanto gerencialmente.

Na impossibilidade de o fundador seguir à frente e da falta de sucessores preparados ou interessados, uma alternativa é a contratação de gestores especializados. Cria-se, então, um conselho consultivo do qual os membros da família fazem parte.

6. Falta de comprometimento

Controlar o comprometimento de colaboradores que fazem parte da família pode ser um desafio para a gestão. Afinal, os vínculos sanguíneos pressupõem uma relação de confiança e elevam as expectativas em relação ao empenho e envolvimento do profissional com a empresa.

Por outro lado, a sensação de segurança de quem não corre risco de perder o emprego cria uma zona de conforto que pode fazer com que os membros executivos não levem a administração tão a sério quanto deveriam. A solução é estabelecer limites claros e ser imparcial no tratamento de eventual desrespeito às regras.

7. Dificuldades na hierarquia

Não é porque a empresa é familiar que a presença de um líder é desnecessária, pelo contrário. No entanto, muitas vezes há uma mistura entre os papéis desempenhados na família e na empresa.

Independentemente de ser pai, mãe, irmão mais velho ou mais novo, ou qualquer outro membro da família, é essencial que fique claro de quem é a decisão final. Além disso, essa pessoa deve ser capaz de mediar conflitos e de priorizar os interesses do negócio, a despeito das preferências pessoais e pressões emocionais.

8. Conflito de interesses

O que nos leva a outro desafio na gestão de empresas familiares, o conflito de interesses. É comum privilegiar relações pessoais tanto na contratação de fornecedores, como já mencionamos, quanto na contratação de colaboradores.

Essa prática pode significar redução de custos, abrindo brechas no rigor da lei trabalhista, porém, dá margem aos questionamentos de capacidade e incompatibilidade de interesses. Assim, o melhor é seguir os trâmites de recrutamento e seleção que priorizem o perfil e a capacidade, seja da empresa fornecedora, seja do profissional a ser contratado.

9. Disputa de gerações

Por fim, conciliar a visão dos mais velhos com as novas ideias dos seus descendentes é um grande desafio em empresas familiares. Jovens altamente capacitados tendem a desconsiderar a experiência de seus pais ou parentes mais velhos, enquanto estes, muitas vezes, se mostram intransigentes na aceitação de novas propostas, um entrave à inovação e à tecnologia.

Assim, está estabelecido o conflito com o qual a empresa só tem a perder. O ideal é buscar o equilíbrio entre essas duas vivências, somando forças em prol do crescimento da empresa.

Quais são os erros mais comuns?

Para superarmos os desafios da gestão em uma empresa familiar, antes de tudo, devemos eliminar os erros que são as causas desses problemas.

Misturar contas pessoais com as da empresa

Formalize a empresa e crie contas bancárias próprias para realizar as operações do negócio. Além disso, entenda que as retiradas devem ser contabilizadas e constar como despesas no fluxo de caixa.

Não contar com uma assessoria jurídica

Contrate profissionais especializados para cuidar dos contratos e das obrigações fiscais. Normalmente, esse trabalho se paga, porque encontrar o regime tributário mais adequado reduz custos.

Não ter mediação processual de conflitos

Invista em soluções consensuais para os conflitos entre as partes interessadas no negócio, como sócios, fornecedores, clientes, parceiros e afins. Isso pode ocorrer tanto enquanto trabalho preventivo como no curso de um processo judicial para evitar danos.

Apresentar baixo nível de profissionalização

Entenda que o negócio compete com empresas não familiares e defina diretrizes profissionais para o negócio. O ideal é se aproximar o máximo possível de uma organização comum, modernizando-se e distribuindo benefícios com base em resultados e competência.

Como lidar com a relação entre sócios?

Existem documentos que resguardam os sócios e administradores de uma empresa familiar, como o memorando de entendimento, o contrato social, acordo de quotistas e as atas de assembleias, em que se formalizam os acordos. O ideal é consultar uma assessoria jurídica para ajustar os direitos e deveres dos envolvidos, evitando discussões futuras. Dessa forma, mata-se o problema pela raiz.

Seguindo as nossas dicas, será mais fácil lidar com os desafios da gestão em uma empresa familiar e aumentar o grau de profissionalismo desse tipo de negócio.

E você, quais os principais desafios que já enfrentou na gestão do seu negócio? Teria algo a acrescentar à nossa lista? Deixe sua opinião nos comentários desta página.

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