pessoas realizando simulações de IBS e CBS

Simulações de IBS e CBS: o papel das contabilidades

Várias operações que passarão a ser tributadas com IBS e CBS ainda não geram documento fiscal eletrônico. Isso exigirá das empresas organização contábil precisa desde já — pois o mapeamento dessas operações é essencial para realizar simulações de IBS e CBS com base no novo modelo de IVA.

A Reforma Tributária amplia o campo de incidência dos tributos sobre o consumo, atingindo diversas transações que hoje não são tributadas diretamente. Nesta linha, veremos por que a estruturação contábil é indispensável para simulações de IBS e CBS precisas e confiáveis, fundamentais para o planejamento tributário.

Por que a contabilidade será determinante na apuração do IBS e da CBS?

A Lei Complementar nº 214/2023, com base no Projeto de Lei Complementar nº 68/2024, prevê no art. 4º, §2º, um conjunto de operações que passam a ser consideradas fato gerador de IBS e CBS. Entre elas:

  • Alienações (compra e venda)
  • Locações
  • Licenciamentos, concessões e cessões de direitos
  • Mútuos
  • Doações com contraprestação
  • Instituição onerosa de direitos reais
  • Arrendamentos

Muitas dessas operações ainda não geram Notas Fiscais, mas em breve, serão registradas em documento fiscal eletrônico próprio, de modo que, muito embora elas não serão submetidas à escrituração dos atuais sistemas do SPED, passarão a constar em sistema eletrônico nacional padronizado.

Por esse motivo, a organização contábil desde já é essencial: é a contabilidade que revelará onde estão esses fatos geradores — tanto os débitos quanto os créditos — permitindo que a empresa simule corretamente os impactos tributários da reforma.

Contas contábeis relevantes para simulações de IBS e CBS

Veja abaixo exemplos de grupos de contas contábeis que, pela natureza da operação, devem ser revisados e organizados para facilitar a apuração futura:

1. Locação

  • Receitas de Aluguéis
  • Aluguéis a Receber
  • Bancos/Caixa (recebimentos)

 

2. Licenciamento, concessão e cessão

  • Receitas de Royalties
  • Receitas de Franquias
  • Receitas de Concessões
  • Direitos de Licenciamento a Receber

3. Mútuo (empréstimo com juros)

  • Receitas Financeiras de Juros
  • Juros a Receber
  • Mútuos a Receber
  • Bancos/Caixa

4. Doações com contraprestação

  • Receitas de Doações Condicionais
  • Doações a Receber
  • Bancos/Caixa

 

5. Instituição onerosa de direitos reais

  • Receitas de Constituição de Direitos
  • Direitos Reais a Receber
  • Bancos/Caixa

6. Arrendamento e leasing

  • Receitas de Arrendamento
  • Receitas de Leasing
  • Arrendamentos a Receber
  • Bancos/Caixa

📌 Observação importante: Recomenda-se criar contas analíticas ou centros de custo segregados para essas operações, de modo a garantir rastreabilidade e correta apuração dos créditos e débitos de IBS e CBS.

Erros que podem comprometer as simulações e controles

❌ Desconsiderar que essas operações geram débitos e créditos: deixar de identificá-las compromete a simulação do resultado da empresa.
❌ Simular os impactos da reforma com base apenas em notas fiscais: diversas operações relevantes não têm NF-e atualmente, mas estarão sujeitas ao IBS/CBS.
❌ Não manter estrutura contábil segregada para essas operações: misturar essas receitas com outras pode comprometer o resultado e induzir gestores a erro.

Conclusão

Com a entrada em vigor do novo modelo de IBS e CBS, operações que hoje não geram obrigação fiscal direta passam a gerar tributo, crédito e necessidade de controle. E isso ocorrerá mesmo sem vínculo com nota fiscal eletrônica tradicional.

As empresas precisam revisar seus planos de contas, segregar essas receitas e alinhar os registros contábeis à futura estrutura de emissão de documentos fiscais eletrônicos.

Ignorar essas movimentações contábeis compromete qualquer simulação de IBS e CBS, planejamento tributário ou estruturação empresarial com base no novo modelo.

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